A entrega da moção de pesar pelo falecimento da professora Zelinda Fávero Gervásio mobilizou a Câmara e ex-alunos holambrenses que iniciaram seu aprendizado pelas mãos de Zelinda e de sua irmã Belinha que, acompanhada por familiares, recebeu a homenagem póstuma na última terça-feira.
Pedro Galli, autor da proposta aprovada por unanimidade em junho, frisou a importância do papel de Zelinda no início da Cidade das Flores, apontando que a projeção nacional alcançada por Holambra nos dias atuais é o reflexo do trabalho de profissionais que, como Zelinda, se dedicaram em formar cidadãos íntegros e corretos. “É com satisfação que esta Casa faz uma homenagem a uma pessoa que teve papel singular para o desenvolvimento do município. Zelinda, que durante anos lecionou na Escola São Paulo, fez algo tão grande que hoje temos aqui profissionais de diversas áreas que passaram pelos seus cuidados”, discursou, citando também o trabalho de Belinha, Zélia e das freiras. Imagino como foi difícil lecionar em Holambra naquela época. Eram professoras de Campinas que vieram para uma fazenda de estrangeiros e lecionaram para crianças que muitas vezes ingressavam na escola sem saber falar português”, completou.

Logo após a sessão, o ex-aluno Geraldo Eysink usou a tribuna para prestar uma homenagem aos familiares. “Educar é um privilégio. São essas pessoas que nos dão base para crescer com ética, que nos dão a garantia de sermos cidadãos. E para traduzir a importância de Zelinda, só consegui quatro palavras: Zelinda, minha querida professora”, discursou.
Representando a Escola São Paulo, a ex-aluna Maritha Domhof também frisou a importância do trabalho desempenhado por Zelinda em Holambra e recordou passagens que ficaram gravadas em cada ex-aluno. “Éramos muito felizes apesar das dificuldades que enfrentávamos Éramos livres e nossas mentes não estavam ocupadas com apreensões sobre segurança e desconfiança que enfrentamos no mundo de hoje. A equipe da Escola São Paulo era formada por pessoas de Holambra, especialmente as freiras. A vinda de Zelinda, Belinha e Zélia para Holambra era algo especial para nós alunos. Eram bonitas, vestidas com roupas modernas, pintavam as unhas e usavam maquiagem. Também vinham com idéias novas e falavam um português diferente do que escutávamos no dia-a-dia. Sem sotaque e sem a linguagem rural dos colonos”, recordou, citando que muitos holandeses conheceram a “cidade grande”, Campinas, através das professoras.
Ao usar a tribuna, Belinha agradeceu a homenagem e fez um breve histórico da vida de Zelinda, que iniciou a carreira profissional em 1963 como professora primária da Escola São Paulo, onde atuou por dez anos. Investindo na carreira acadêmica, Zelinda passou a lecionar na universidade, foi eleita diretora do Instituto de Artes, Comunicação e Turismo da PUC-Campinas por duas gestões consecutivas e nos últimos anos, já afastada por causa da doença, continuou trabalhando na consultoria do Canal Universitário da PUC-Campinans até o início de abril deste ano, quando foi internada. Zelinda morreu aos 63 anos, de câncer, no dia 23 de maio.
A presença de Belinha também emocionou os ex-alunos e a homenagem foi encerrada com a entrega da moção aos familiares.
Helga Vilela, jornalista.

